O fundo do poço da IA: hype demais, entrega de menos?

Uma recente análise da The Economist toca num ponto importante: a inteligência artificial generativa está passando pelo seu "vale da desilusão". Depois de uma fase de entusiasmo quase messiânico, o setor agora encara a realidade dura da implementação.

Por Gennaro | Lead Researcher

Uma recente análise da The Economist toca num ponto importante: a inteligência artificial generativa está passando pelo seu "vale da desilusão". Depois de uma fase de entusiasmo quase messiânico, o setor agora encara a realidade dura da implementação.

Muitas empresas que apostaram na IA estão decepcionadas. A promessa de produtividade, automação e transformação cultural ainda não se concretizou para a maioria. De acordo com a S&P Global, o número de companhias que abandonaram seus projetos-piloto de IA generativa saltou de 17% para 42% em um ano. A frustração virou conversa de bastidor entre CEOs.

Enquanto isso, os consumidores continuam abraçando a tecnologia – o ChatGPT, por exemplo, dobrou sua base de usuários semanais desde fevereiro, chegando a 800 milhões. Mas essa adoção massiva no uso pessoal ainda não se converteu em ganhos organizacionais sólidos.

Os obstáculos são múltiplos, mesmo assim, as big techs não pisaram no freio. Pelo contrário: Microsoft, Google, Amazon e Meta estão despejando recursos pesados na construção de infraestrutura de IA, com investimentos que já consomem 28% da receita anual conjunta – mais que o dobro de uma década atrás. E por ora, esses investimentos geram pouco retorno direto. O dinheiro que entra vem, em grande parte, de startups financiadas pelas próprias gigantes.

A estratégia, agora, é usar IA como motor interno de eficiência. Google incorporou IA generativa às buscas e anúncios. Microsoft enriqueceu seu pacote de apps e plataformas de desenvolvimento. Amazon aplica IA em recomendações e logística. Meta explora seus modelos Llama para personalização publicitária.

Os obstáculos são múltiplos: dados presos em sistemas legados e silos internos; escassez de talentos técnicos; e riscos reputacionais jurídicos e operacionais associados a erros de IA.

O artigo aposta que, como em ciclos anteriores, estamos apenas atravessando o ponto mais baixo. O próximo estágio, chamado de "rampa da iluminação", traria retornos mais concretos para quem sobreviver à travessia. A Apple, citada como exemplo negativo, sentiu o impacto por ter demorado a reagir e agora lida com um assistente de voz com IA cheio de bugs e atraso no lançamento.

Reflexão crítica

A análise da Economist é sóbria, mas talvez otimista demais ao assumir que a fase atual é apenas uma curva natural de amadurecimento. A narrativa do "espere e confie" ignora a possibilidade real de que parte do hype tenha sido inflado demais – tanto em potencial técnico quanto em viabilidade prática.

Conclusão

Este é o momento em que se testam as promessas. É nesse vale que as tecnologias se desenvolvem. E, para quem tiver visão e cautela, pode ser o terreno ideal para construir soluções que de fato façam sentido.

O lugar onde nascem ideias revolucionárias

©2025 Euphrates. Todos direitos reservados

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